MOSCA MORTA
A mosca entra pela porta esquecida. Dá três voltas à sala e zumbe, encurralada. Pobre sentido de orientação, o seu. Incapaz de encontrar o caminho de volta, a mosca descansa no parapeito de uma janela. O Sol aquece-a e, apesar de ver folhas pelo ar, não sente o vento. Conforta-se por um instante, esquecendo que é prisioneira. E então, eis que se apercebe de que o que vê (o Sol, as folhas, o vento) é nada menos do que a liberdade, o exterior. A sua vista de mosca fixa-se numa flor amarela, uma simples flor amarela entre tantas outras flores amarelas. O seu desejo faz-se voo e embate contra a transparência do vidro. Tenta de novo uma, duas, três, quatro vezes, toda ela vontade e determinação. Uma voz humana abre a vidraça contra a qual lutava. “Vai, mosca, sai!”, empurra a voz que tem forma de espanador do pó. Mas a mosca não quer voar para o lado e sim em frente até à sua flor. “Não é a liberdade que queres, mosca?”, o espanador rodopia, tentando orientá-la. Mas a mosca não quer seguir a voz que a irrita e a desvia do seu desejo. Não vê que agora não mais a orienta e que se abate sobre a sua carapaça de mosca, esmagando-a contra o vidro. “Mosca burra”, diz o espanador.
A mosca entra pela porta esquecida. Dá três voltas à sala e zumbe, encurralada. Pobre sentido de orientação, o seu. Incapaz de encontrar o caminho de volta, a mosca descansa no parapeito de uma janela. O Sol aquece-a e, apesar de ver folhas pelo ar, não sente o vento. Conforta-se por um instante, esquecendo que é prisioneira. E então, eis que se apercebe de que o que vê (o Sol, as folhas, o vento) é nada menos do que a liberdade, o exterior. A sua vista de mosca fixa-se numa flor amarela, uma simples flor amarela entre tantas outras flores amarelas. O seu desejo faz-se voo e embate contra a transparência do vidro. Tenta de novo uma, duas, três, quatro vezes, toda ela vontade e determinação. Uma voz humana abre a vidraça contra a qual lutava. “Vai, mosca, sai!”, empurra a voz que tem forma de espanador do pó. Mas a mosca não quer voar para o lado e sim em frente até à sua flor. “Não é a liberdade que queres, mosca?”, o espanador rodopia, tentando orientá-la. Mas a mosca não quer seguir a voz que a irrita e a desvia do seu desejo. Não vê que agora não mais a orienta e que se abate sobre a sua carapaça de mosca, esmagando-a contra o vidro. “Mosca burra”, diz o espanador.
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