terça-feira, 14 de julho de 2009

A OVELHA E O LOBO

A OVELHA E O LOBO

“Por favor não me comas”, baliu a ovelha perante a boca escancarada do lobo. O pedido foi atendido, a ovelha urdira um plano, trocando-o pela vida. “Não me comas por favor, e todos os dias terás farta refeição sem que para isso tenhas de correr, perseguir, sem que para isso tenhas de fatigar-te.”, propôs a ovelha. Houve acordo, e nos tempos que se seguiram, dia após dia, a ovelha afastava do rebanho uma companheira. Atrás de uma árvore, misturando-se com a sombra, o Lobo não tinha mais que dar dois ou três passos para enterrar a morte no pescoço da vítima. Uma após outra, todas as ovelhas foram devoradas e o rebanho findou. Sobrou uma, a tal, aquela, a que. E já o lobo salivava de boca aberta quando a ovelha baliu em protesto:”Mas, comes-me a mim que te ajudei?”, ao que o lobo respondeu:”O que é que te faz diferente das outras? Acaso não és tu uma ovelha do mesmo rebanho?”. A ovelha, entre o susto e a ofensa baliu:”Mas, a mim que matei por ti?”. Mordendo o primeiro pedaço, o lobo impaciente rematou:”Não foi por mim que mataste, mas por ti”.

2 comentários:

  1. Continue por favor e um grande prazer.
    Bom dia de Carquefou

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  2. hahaha que conto mais sanguinário! mas no fundo reflete muito o realismo...

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